O assédio contra mulheres na Segurança Pública e seus impactos na saúde mental e na carreira profissional

Trabalhar na Segurança Pública não é fácil. A pressão psicológica é constante, as jornadas são exaustivas, há a exigência de resistência física e mental, horários incertos de alimentação e exposição frequente a situações traumáticas. Soma-se a isso o fato de ser um ambiente predominantemente masculino.

Como se não bastassem todas essas dificuldades, muitas mulheres ainda são vítimas de assédio moral, assédio sexual e intensa pressão psicológica.

Muitas policiais civis, militares, guardas civis metropolitanas e policiais penais, ao não cederem a cantadas ou investidas, passam a ser perseguidas e sofrem diferentes tipos de retaliação. São colocadas nas piores escalas, nos piores postos de trabalho e em condições ainda mais desgastantes.

Diante desse cenário, muitas mulheres desenvolvem síndrome do pânico, entram em quadros de depressão e, em situações extremas de desespero, algumas acabam tirando a própria vida.

O medo de denunciar é constante. Essas mulheres sabem que, ao se posicionarem, suas vidas e carreiras podem se tornar um verdadeiro pesadelo. Assim, tornam-se reféns de um sistema que as silencia.

Tenho sido procurada por diversas mulheres que narram suas dores, frustrações e decepções. Elas relatam que muitas vezes não adianta reclamar. Algumas acabam desistindo da carreira para não cederem às imposições de homens abusivos.

Essa punição velada destrói a saúde mental dessas profissionais. Pensando nisso, procurei a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, presidida pela Marcia Lia, para que fosse solicitado à Ouvidoria da Polícia que as denúncias de assédio sejam mantidas sob sigilo, garantindo a preservação da identidade das vítimas e segurança no ato de denunciar.

A deputada prontamente acolheu minha sugestão e afirmou que buscará formas de ajudar essas mulheres que sofrem assédio dentro das instituições de segurança.

É extremamente importante que exista um canal sigiloso para denúncias de assédio, permitindo que a conduta desses abusadores seja investigada por meio de relatos de subordinados, análise do número de afastamentos, faltas ou pedidos de transferência.

Precisamos cuidar de quem cuida. Essas mulheres são filhas, mães, irmãs. São cidadãs. Merecem respeito, acolhimento, proteção e apoio.

Sandra Campos perdeu, há dois anos, seu filho de 24 anos para o suicídio e se tornou ativista pela vida com o projeto Não te julgo, te ajudo!.
Ela se coloca à disposição para ouvir, gratuitamente, pessoas em sofrimento.

Instagram: @sandracamposa_

Telefone para contato:
(11) 94813-7799

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